SOP agora se chama SOMP: o que muda para você?

maio 20, 2026

Saúde da Mulher · Atualização Clínica

SOP agora se chama SOMP:
o que muda para você?

Uma das condições hormonais mais comuns entre mulheres ganhou um novo nome — e ele conta muito mais sobre o que realmente acontece no seu corpo.

Dra. Beatriz Purim  |  Medicina Integrativa & Metabólica  |  Maio de 2026

Se você já ouviu falar em Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) — seja porque convive com esse diagnóstico ou porque conhece alguém que convive —, tenho uma novidade importante para compartilhar.

Em maio de 2026, um consenso global publicado na revista científica The Lancet oficializou uma mudança histórica: a SOP passou a se chamar Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, ou simplesmente SOMP.

SOMP
Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina
Nova denominação oficial — publicada no The Lancet, maio de 2026
Resultado de um consenso com 56 organizações científicas e mais de 14.000 pacientes e profissionais de saúde de todo o mundo

Por que o nome antigo estava errado?

O nome “Síndrome dos Ovários Policísticos” sempre carregou um problema de origem: ele sugeria que o coração da condição eram os cistos nos ovários. Mas isso nunca foi preciso. O que existe, na prática, são folículos com crescimento interrompido — não cistos verdadeiros. E nem todas as mulheres com o diagnóstico apresentam essa característica.

Mais do que uma questão de nomenclatura, o nome antigo levava muitas mulheres — e até profissionais de saúde — a tratarem a síndrome como algo exclusivamente ginecológico, ignorando os impactos hormonais e metabólicos que afetam o corpo inteiro.

O resultado? Diagnósticos tardios, tratamentos incompletos e mulheres que nunca entenderam de fato o que estava acontecendo com elas.

O que cada palavra do novo nome representa

Termo O que significa na prática
Ovariana Mantida no nome para reconhecer os impactos reais sobre a ovulação, a fertilidade e o funcionamento dos ovários.
Metabólica Destaca a forte relação com resistência à insulina, sobrepeso, risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares — presente em até 85% das mulheres afetadas.
Poliendócrina Reconhece que múltiplos hormônios estão envolvidos: insulina, androgênios, LH e hormônio antimülleriano (HAM). Não é apenas uma questão ovariana.

O que isso muda na prática?

Para as minhas pacientes, esse reconhecimento formal confirma o que trabalhamos juntas na consulta há muito tempo: a SOMP é uma condição metabólica e hormonal sistêmica, que pede uma abordagem igualmente abrangente.

Isso significa que o cuidado vai muito além de regular o ciclo menstrual. Envolve avaliar e tratar a resistência à insulina, o perfil inflamatório, o peso e a composição corporal, os hormônios em conjunto — e não de forma isolada.

É exatamente a abordagem integrativa e metabólica que pratico no consultório: olhar para a mulher como um todo, e não apenas para um único órgão ou sintoma.

Se você tem SOMP (antes chamada SOP), saiba que um diagnóstico preciso e um acompanhamento personalizado fazem toda a diferença — na fertilidade, no peso, na energia e na sua saúde a longo prazo.

Um passo importante para milhões de mulheres

A SOMP afeta mais de 170 milhões de mulheres no mundo — uma em cada oito em idade reprodutiva. Apesar disso, muitas ainda chegam ao consultório sem diagnóstico ou após anos de investigação.

Um nome mais preciso é também um convite para que médicos e pacientes reconheçam a condição com mais clareza, cuidado e seriedade. Esse é um avanço que celebro — e que comprometo a integrar plenamente no cuidado que ofereço.

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Suspeita de SOMP ou já tem o diagnóstico e quer um acompanhamento que considere todos os aspectos da sua saúde?

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